O resultado que ninguém esperava
Todo mundo à minha volta esperava outro resultado na eleição de 2026, e as explicações fáceis apareceram na mesma noite: o eleitor do Lula ficou em casa, o pobre virou à direita, o Nordeste segurou. Eu meio que acreditava em algumas. Queria saber quais sobreviviam aos números de verdade.
Conferir em vez de chutar
Ninguém me pediu isso. Era uma pergunta minha, então a régua era simples: usar só dados públicos, dizer onde os dados param e topar largar uma explicação de que eu gostava. O TSE publica resultados por seção eleitoral e o censo do IBGE tem renda, cor/raça, religião e instrução por município, então a unidade honesta de análise era o município, nunca a pessoa.
Primeiro os notebooks, depois o report
Montei três notebooks em Python com pandas e statsmodels: um para a abstenção, um para os municípios historicamente de esquerda que viraram e um para renda e região. Eles cruzam os resultados do TSE de 2002 a 2026 com o censo de 2022, classificam os partidos em esquerda, centro e direita e rodam regressões dentro de cada estado do voto na esquerda contra variáveis do censo padronizadas, para que cada coeficiente se leia como pontos de voto por desvio-padrão com o estado fixo.
Um script de exportação leva os agregados para um arquivo de dados tipado no app do labs, onde o report vira gráficos interativos em Recharts, em inglês e português. Antes de publicar, conferi cada número do texto contra os notebooks, e algumas afirmações não passaram nessa revisão.
O que se sustentou, e o que eu não posso afirmar
A abstenção quase não mudou e caiu justamente nos lugares mais lulistas; o que se moveu foi o voto. A virada dos municípios historicamente de esquerda é sobretudo um 2018 que se repetiu, concentrado no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Dentro do mesmo estado, a proporção de pretos e pardos acompanha o voto na esquerda muito mais do que a renda, e a associação com evangélicos saltou em 2018.
Tudo isso é ecológico: diz onde, não quem. A classificação dos partidos é julgamento meu e os preditores são associações, não causas. O report está no labs, e os notebooks, scripts e a classificação dos partidos estão públicos em rckbrcls/labs.
Feito com
Python / pandas / statsmodels / Next.js / TypeScript / Recharts
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